publicado em 30 novembro, 2017

Audiência Pública denuncia racismo e mobiliza entidades

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wmX-825x550x4-5a212f8e7630046e85ad3544aa49f145b84d47852fe56Militantes do movimento negro se unem para criação de Coordenadoria e reativação de Conselho

A Audiência Pública que debateu o “Racismo Institucional” teve como resultado importantes posicionamentos quanto ao movimento negro em Dourados. De proposição do vereador Elias Ishy, o ato foi realizado na última terça-feira (28), na Câmara, com uma iniciativa coordenada pela acadêmica Danielle Ferreira, do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação, Relações Étnico-Raciais e Formação de Professores (GEPRAFE/UFGD).

O doutor em história e professor da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), Mario Teixeira de Sá Junior, realizou uma contextualização histórica sobre o tema da audiência, lembrando como se constitui o racismo. “Se não soubermos de onde viemos será difícil construirmos soluções para que o que queremos. Obrigado mãe África e perdoe por não reconhecermos o que você tem nos dado”, afirmou ele.

Dando continuidade, na análise do discurso na mídia sobre a violência acerca do corpo negro e o corpo da mulher, a doutora em linguística e professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso Do Sul (IFMS), Elizete Souza Bernardes, fez um relato de experiência emocionante. “Práticas raciais acontecem comigo”, denunciou ela.

Para fechar a palestra, o doutor em sociologia e professor da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), Marcelo da Silveira Campos, contribuiu com estatísticas com relação ao racismo institucional, especialmente no sistema carcerário. Segundo ele, a escravidão não foi superada. “Porque há um extermínio de jovens negros”, justifica. Para lembrar, de acordo com a ONU Brasil, um jovem negro morre a cada 23 minutos no país. “Essas práticas não podem ser mais negligenciadas”, completa.

A Anistia Internacional aproveitou a oportunidade para recolher assinaturas para a campanha “Jovem Negro Vivo”, chamando atenção para esses homicídios. Ishy destacou a importância dessa ação, bem como também da participação da Comunidade Quilombola, do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab), do Coletivo de Mulheres Negras de MS – Raimunda Luiza de Brito, do Ilê Axé Angola Megemulebaonã de Dourados, do Instituto Cultural Malungo Capoeira. “Parabenizo aos envolvidos e agradeço a todos e a todas pela presença”, finalizou Ishy.

Como encaminhamento da Audiência, foi solicitada a criação de uma Coordenadoria de Relações Raciais, para apoiar o enfrentamento ao racismo, promovendo debates, acolhendo pessoas, para que essas tenham orientação quanto às denúncias. Foi pedida também a reativação do Conselho Municipal de Defesa e Desenvolvimento dos Direitos dos Afro-Brasileiros – COMAFRO, desativado há alguns anos, que tem como papel essencial a fiscalização. Além disso, para valorização cultural, o feriado de 20 de novembro, em relação ao “Dia da Consciência Negra”. As entidades presentes se comprometeram a elaborar um documento para encaminhar as autoridades esclarecendo todos os pontos.

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